diluindo a confusão no ondular

Tudo está perdoado

Tudo está já perdoado, mas ainda não o sabemos. Precisamos de continuar este jogo na ignorância até o saber. E no final somos nós que nos julgamos não é o Amor. 

Tudo está perdoado. E não é justo para o sofrer.

O justo e o injusto são apenas a nossa ignorância do que É. 



A Fonte

“A Ásia, a Europa são meros recantos do universo. Todo o oceano é uma gota no universo: O monte Athos uma pá de terra no universo. Todo o tempo presente é a ponta de um alfinete na eternidade. Todas as coisas são minúsculas, rapidamente alteradas, evanescentes.
Todas as coisas vêm daquele outro mundo, partindo daquela razão governante universal, ou em conseqüência dela. Assim, mesmo as mandíbulas de um leão, venenos, todo o tipo de maldades são, como espinhos ou pântanos, produtos consequentes daquilo que é nobre e amável.
Portanto, não os considere alheios ao que você adora, mas reflita sobre a fonte de todas as coisas ”.
Marcus Aurelius
Meditações, Livro Seis, 36

Riqueza

A meu ver existem 4 tipos diferentes de riqueza:

- material
- conduta
- amor
- compreensão

Todas estão dependentes umas das outras. Dependendo dos objetivos de cada individuo, das inclinações, do contexto e condicionamento social e familiar, alguns indivíduos vão sobressair e investir mais numa destas riquezas do que em outras, enquanto que outros vão procurar um equilíbrio.

A conduta pessoal de cada um refere-se à disciplina individual, ao código de comportamento, conceção de honra, ética. A capacidade de nos observarmos: o nosso comportamento, pensamentos, actos. A determinação e crença de que podemos evoluir em direção ao nosso potencial humano. Alimentando mais o lado em nós que tenciona o melhor para si e para a Vida. É força e vitalidade mental.

Riqueza material obviamente está relacionada com posses materiais, dinheiro, conforto. É algo que confere ao indivíduo algum poder sobre a sua realidade, liberdade de movimento, tempo e espaço. É importante ter uma base material suficiente para as nossas necessidades para podermos desenvolver as restantes riquezas.

No amor temos as nossas relações intimas amorosas, familiares, amizade, a relação que mantemos com nós próprios, a capacidade de empatia com outros seres humanos e com outros seres vivos. Incluo também aqui a capacidade de criar digamos uma empatia com a Natureza, com o Universo e com o Sagrado. Desta empatia nasce compreensão, e da compreensão nasce o Amor.

Com compreensão refiro-me a um tipo de conhecimento que não vem da nossa aprendizagem na escola, de ler livros, de ouvir algo da boca de outras pessoas. Isso é apenas assimilação de informação. O verdadeiro conhecimento vem da compreensão. Realmente conhecer algo envolve compreender e compreender envolver experienciar.
Quando realmente aprendemos algo por nós mesmo e se dá uma forte compreensão interior, esse conhecimento já não depende de acreditar, pois acreditar é o que nos é exigido quando em crianças e mais tarde como adultos na sociedade, que acreditemos no que nos é dito. Quando compreendemos por nós mesmos já não acreditamos, mas sim passamos a saber e a compreender. E é um conhecimento inabalável pois torna-se parte de nós. Isto requer desaprender, experienciar, pensamento, questionar, arriscar.

De forma a podermos atingir contentamento nas nossas vidas é necessário procurar um equilíbrio entre estas várias áreas pois uma vai apoiar a outra. Procurar apenas a acumulação de um tipo de riqueza como a riqueza material por exemplo, vai-nos deixar vulneráveis nas outras áreas e logo será difícil atingirmos o nosso potencial ou um nível de satisfação e realização que o nosso Ser deseja atingir.

Valor

A felicidade é medida pelo inconsciente através da experiência e presença de Amor, amizade, humor, gratidão, esperança e Verdade.

Estes elementos são cultivados e pagos com sacrifício, lealdade, resiliência, coragem e honra.

Este é o verdadeiro valor das nossas vidas e segue connosco na próxima viagem.

O resto fica.

Evolução

"Não é o mais forte que sobrevive,
nem o mais inteligente
mas o que melhor se adapta à Mudança"


A partir do momento em que a humanidade iniciou um processo de distanciamento da selecção natural, uma pequena parte, os mais privilegiados, fortes e inteligentes, passaram a procurar além de uma mera sobrevivência, para passarem também a moldar o seu meio-ambiente. Surge então o sedentarismo, passamos a armazenar alimentos, construir habitações, distribuir tarefas, dividir, organizar, surge a autoridade: os mais fortes, inteligentes e privilegiados. Esta minoria passa a ditar as normas, a moldar a nossa linguagem, forma de pensar, a nossa consciência. O resultado deste processo podemos vê-lo todos os dias nas nossas vidas.

Para podermos reconquistar um pouco da nossa integridade colectiva, uma redenção da alma humana, precisamos de uma capacidade individual e coletiva de recondicionamento, reconstrução, de desaprender o que foi aprendido. E para isto, a meu ver, precisamos de ser tão ou mais fortes e inteligentes que a minoria que nos colocou na situação em que estamos. Precisamos da capacidade de sermos vulneráveis e verdadeiros com nós mesmos e uns com os outros e de uma resiliência que nos permita navegar o desconforto e dor que advém de escolhermos este caminho. 

Mudança vem, para mal ou pior. Precisamos muito mais do que uma adaptação a uma mudança futura que a meu ver parece ser bastante sinistra e que seria não uma escolha nossa mas uma imposição. Precisamos de reconquistar a capacidade de causarmos nós a mudança para um processo que nos leve a um futuro sustentável e em equilíbrio com a nossa condição.

Igualmente importante: precisamos de sabedoria e clareza para distinguir entre o que deve ser mudado e o que não pode mudar, individualmente e colectivamente. Aqui entra a adaptação, aceitação. Apenas a minha perspectiva.