diluindo a confusão no ondular

A Civilização, o Ego e o Medo

In Hoc Signo Vintes de Zdzisław Beksiński
Vou com este texto tentar explicar qual a relação entre a Besta/civilização, o Ego e o medo.

O que é o Ego?

O Ego é um mecanismo, ou um filtro, que a nossa mente cria para se manter sintonizada com a realidade em que vivemos. O Ego está constantemente a fazer uma censura do infinito de informação e sensações que nos rodeiam, permitindo apenas captar os sinais que estão de acordo com o nosso programa mental, ou seja, crenças, padrões de comportamento, educação, etc., que assimilámos desde o início da nossa vida, e que são muito importantes para a integridade psicológica da pessoa.

A Besta em Nós e no Mundo

Buda pacifica um elefante em fúria
Podemos sempre ver a vida sobre várias perspectivas. Se acreditarmos, qualquer uma delas nos parecerá real. Uma perspectiva interessante sugere que o pensamento e a razão humanas são uma especialização da Natureza em resposta à necessidade de sobrevivência.

A existência é um fardo enorme e pode-se tornar mesmo um inferno quando vivemos sob o peso do medo e a necessidade de defesa. Quando vemos o que o homem teve que enfrentar no início da sua caminhada é possível sentir uma certa compaixão por ele. Basta ver por exemplo a primeira parte do filme 2001: Odisseia no Espaço. O homem primitivo, como animal que era, lutava diariamente pela sua sobrevivência. De todos os lados espreitava o perigo que tanto ameaça a directiva principal presente em qualquer ser vivo: SOBREVIVER. É daqui que nasce o nosso medo.

Por onde vamos?

Fala-se em Deus, de Amor, de Verdades, ideais, liberdade
Temos filosofias, religiões, cultos, rituais, ciências
Temos padres, políticos, generais, intelectuais, cientistas
Temos máquinas, artes, monumentos, armas
Mas não temos nada, não sabemos nada
Estamos perdidos, confusos, adormecidos
Consumimos, destruímos, matamos, mentimos

O Eterno

No espaço, a forma
No silêncio, o som
Na mente, o pensamento
No coração, a dor
No Ser, o Universo
No Nada, o Sonho
Eu, tu, nós, tudo

Uma questão de Ser

Infinitas possibilidades.
Cada pensamento um grão de poeira ao vento.
Todas estas teorias, opiniões, ideias e palavras derivam do confronto entre o Paradoxo da Vida e a mente humana. Quando confrontados com o conceito de Infinito e a realização do Ser interior, acedemos a um estado de consciência em que parece que podemos mais facilmente ligar os pontos, montar o puzzle. Mas também parece ser algo onde tudo é possível, o ligar dos pontos nunca termina, e no final temos um emaranhado de fios. Sinto que há sempre uma peça que não bate certo, há sempre algo que não encaixa. E essa peça que não encaixa tem a ver comigo, sou eu próprio. Apesar de eu perceber todos estes conceitos continuo a sentir-me insatizfeito. Porquê?