diluindo a confusão no ondular

Riqueza

A meu ver existem 4 tipos diferentes de riqueza:

- material
- conduta
- amor
- compreensão

Todas estão dependentes umas das outras. Dependendo dos objetivos de cada individuo, das inclinações, do contexto e condicionamento social e familiar, alguns indivíduos vão sobressair e investir mais numa destas riquezas do que em outras, enquanto que outros vão procurar um equilíbrio.

A conduta pessoal de cada um refere-se à disciplina individual, ao código de comportamento, conceção de honra, ética. A capacidade de nos observarmos: o nosso comportamento, pensamentos, actos. A determinação e crença de que podemos evoluir em direção ao nosso potencial humano. Alimentando mais o lado em nós que tenciona o melhor para si e para a Vida. É força e vitalidade mental.

Riqueza material obviamente está relacionada com posses materiais, dinheiro, conforto. É algo que confere ao indivíduo algum poder sobre a sua realidade, liberdade de movimento, tempo e espaço. É importante ter uma base material suficiente para as nossas necessidades para podermos desenvolver as restantes riquezas.

No amor temos as nossas relações intimas amorosas, familiares, amizade, a relação que mantemos com nós próprios, a capacidade de empatia com outros seres humanos e com outros seres vivos. Incluo também aqui a capacidade de criar digamos uma empatia com a Natureza, com o Universo e com o Sagrado. Desta empatia nasce compreensão, e da compreensão nasce o Amor.

Com compreensão refiro-me a um tipo de conhecimento que não vem da nossa aprendizagem na escola, de ler livros, de ouvir algo da boca de outras pessoas. Isso é apenas assimilação de informação. O verdadeiro conhecimento vem da compreensão. Realmente conhecer algo envolve compreender e compreender envolver experienciar.
Quando realmente aprendemos algo por nós mesmo e se dá uma forte compreensão interior, esse conhecimento já não depende de acreditar, pois acreditar é o que nos é exigido quando em crianças e mais tarde como adultos na sociedade, que acreditemos no que nos é dito. Quando compreendemos por nós mesmos já não acreditamos, mas sim passamos a saber e a compreender. E é um conhecimento inabalável pois torna-se parte de nós. Isto requer desaprender, experienciar, pensamento, questionar, arriscar.

De forma a podermos atingir contentamento nas nossas vidas é necessário procurar um equilíbrio entre estas várias áreas pois uma vai apoiar a outra. Procurar apenas a acumulação de um tipo de riqueza como a riqueza material por exemplo, vai-nos deixar vulneráveis nas outras áreas e logo será difícil atingirmos o nosso potencial ou um nível de satisfação e realização que o nosso Ser deseja atingir.

Valor

A felicidade é medida pelo inconsciente através da experiência e presença de Amor, amizade, humor, gratidão, esperança e Verdade.

Estes elementos são cultivados e pagos com sacrifício, lealdade, resiliência, coragem e honra.

Este é o verdadeiro valor das nossas vidas e segue connosco na próxima viagem.

O resto fica.

Evolução

"Não é o mais forte que sobrevive,
nem o mais inteligente
mas o que melhor se adapta à Mudança"


A partir do momento em que a humanidade iniciou um processo de distanciamento da selecção natural, uma pequena parte, os mais privilegiados, fortes e inteligentes, passaram a procurar além de uma mera sobrevivência, para passarem também a moldar o seu meio-ambiente. Surge então o sedentarismo, passamos a armazenar alimentos, construir habitações, distribuir tarefas, dividir, organizar, surge a autoridade: os mais fortes, inteligentes e privilegiados. Esta minoria passa a ditar as normas, a moldar a nossa linguagem, forma de pensar, a nossa consciência. O resultado deste processo podemos vê-lo todos os dias nas nossas vidas.

Para podermos reconquistar um pouco da nossa integridade colectiva, uma redenção da alma humana, precisamos de uma capacidade individual e coletiva de recondicionamento, reconstrução, de desaprender o que foi aprendido. E para isto, a meu ver, precisamos de ser tão ou mais fortes e inteligentes que a minoria que nos colocou na situação em que estamos. Precisamos da capacidade de sermos vulneráveis e verdadeiros com nós mesmos e uns com os outros e de uma resiliência que nos permita navegar o desconforto e dor que advém de escolhermos este caminho. 

Mudança vem, para mal ou pior. Precisamos muito mais do que uma adaptação a uma mudança futura que a meu ver parece ser bastante sinistra e que seria não uma escolha nossa mas uma imposição. Precisamos de reconquistar a capacidade de causarmos nós a mudança para um processo que nos leve a um futuro sustentável e em equilíbrio com a nossa condição.

Igualmente importante: precisamos de sabedoria e clareza para distinguir entre o que deve ser mudado e o que não pode mudar, individualmente e colectivamente. Aqui entra a adaptação, aceitação. Apenas a minha perspectiva.

Um caminho

"Se descobrires na vida humana algo melhor do que justiça, verdade, auto-controlo, coragem - em suma, algo melhor do que a auto-suficiência da tua própria mente que te impele a agir de acordo com a verdadeira razão e aceita a herança do destino em toda a parte exterior ao seu controlo: se, como eu digo, conseguires ver algo melhor do que isto, então entrega-te a esse bem que encontraste com todo o teu coração e desfruta dele. 
Mas se nada se mostrar melhor do que o próprio deus que vive em ti, e que trouxe os teus impulsos sob o seu controlo, que examina os teus pensamentos, que se tenha retirado em si, como Sócrates costumava dizer, de todos os incentivos dos sentidos, que se subordinou aos deuses e cuida do homem - se tudo em comparação com isto te parecer pequeno e insignificante, então não dês nenhum espaço para qualquer outra coisa: uma vez virado e inclinado a qualquer outra alternativa, vais posteriormente lutar para restaurar a primazia desse bem que é teu e apenas teu. 
Não é correcto que [este bem] deva ser rivalizado por qualquer coisa de uma ordem diferente, como por exemplo, elogios, poder, riqueza, prazer. Todas estas coisas podem parecer adequadas por algum tempo, mas de súbito poderão assumir o controle e [prender-te]. Então repito: deves simplesmente e livremente escolher o melhor e manteres-te [nesse caminho]. 'Mas o melhor é o que traz benefício'. Se para o teu benefício como um ser racional, adopta-a; mas, se simplesmente para o teu benefício como um animal, rejeita-a (...)."
Marcus Aurelios - Meditações: livro três, 6

O Obstáculo é o Caminho

Simplificando e indo à raiz das coisas podemos compreender o que antes nos parecia confuso.

O cérebro humano é, segundo o que sabemos, a estrutura mais complexa no nosso Universo conhecido. Logo o comportamento humano é igualmente dos mais complexos padrões existentes.

Somos especialistas em complexidade e paradoxos.