diluindo a confusão no ondular

O Muro

«O Infinito 
Sempre me foi cara esta erma colina
e esta sebe, que por toda a parte
do último horizonte o olhar exclui.
Mas sentando e admirando, intermináveis
espaços para lá dela e sobre-humanos
silêncios, e profundíssima quietude
eu no pensamento me finjo; onde por pouco
o coração não me amedronta. E como o vento
ouço sussurrar entre estas plantas, eu aquele
infinito silêncio a essa voz
vou comparando: e me sobrevém o eterno
e as mortas estações e a presente
e viva, e o som dela. Assim entre esta
imensidão se afoga o pensamento meu;
e o naufragar é-me doce nesse mar.»
-- Giacomo Leopardi

Rende-te

Deixa o sono dormir
Deixa o sonho sonhar
Deixa a respiração respirar
Deixa o sentimento sentir
Deixa a dor sofrer
Deixa a vida viver
Deixa a morte morrer
Rende-te

O Sabor da Verdade


 "O único livro digno de ser lido, é o Coração."
Ajahn Chah

Eu gosto de mel. Tem um sabor muito característico, diferente de qualquer outro tipo de doce ou açúcar. Adoro comer crepes com mel. É incrível que esta dádiva da Natureza venha do mundo dos insectos. Normalmente quando pensamos em insectos vêm-nos imagens de moscas, mosquitos chatos, e outras coisas voadoras barulhentas e irritantes. Mas existem estes seres conhecidos como abelhas que através de um processo alquímico natural e misterioso, transformam o néctar e pólen das flores neste cremoso e delicioso liquido. É fantástico!

Não tentes perceber

As dúvidas, o incerto, as palavras
O caos, a luta, as certezas
Podemos ler, falar e pensar
Ontem e amanhã,

Mas,

A resposta, a clareza, o saber
A calma, o sorriso, o carinho
Em nós, no invisível, no sentir
Agora,

Não tentes perceber

Viajemos leves neste rio














Rostos perdidos, momentos esquecidos
Sonhos desfeitos, arrependimentos mantidos
Surgem-nos nesta viagem como poeira nos olhos
É este o nosso peso, a dor de viver
Essa sombra que escurece o íntimo

E nestas águas que navegamos
O tempo que nos devora
O silêncio que não nos ouve
O negro que não se mostra
Sempre indiferentes se mostrarão

Viajemos leves neste rio
Não dependendo, de mãos abertas
Olhando as margens, sorrimos
Ao longe, o horizonte que nos espera
Onde as sombras não existem